Sob o sol do Mediterrâneo
Julho 29, 2008Estou de volta à Valência, na costa leste da Espanha, onde exatamente há um ano, convidado pelo meu querido amigo Marcelo Branco, conheci a Campus
Party, maior festa mundial de tecnologia e cultura digital. Volto agora para o mesmo evento, desta vez totalmente envolvido com o assunto.
Para quem não sabe, ano passado voltei de Valencia e fui convidado pela Futura Networks para trabalhar na implementação da Campus Party no Brasil, o que aconteceu em fevereiro de 2008 na Bienal do Ibirapuera, em São Paulo.
Depois disso fui para a Colombia -vou escrever um post sobre Bogotá, que cidade maravilhosa!- também para fazer a Campus Party e, após uma rápida visita ao Brasil, cá estou em mais uma edição desta grande festa geek, carinhosamente apelidada no Brasil de “nerdstock”.
Mas quero falar de Valencia, uma cidade exótica, linda e acolhedora, onde o encontro da cultura ocidental e árabe é evidente. Poucas cidades da Espanha tem tamanha riqueza estética e arquitetônica.
Apesar de ser a terceira maior cidade da Espanha -atrás apenas de Madrid e Barcelona- Valencia tem um ar intimista, de “pueblo”, principalmente no centro histórico, formado por um emaranhado de ruelas dominadas por casarios renascentistas com balcões e fachadas coloridas.
Este patrimônio histórico de Valencia foi cuidadosamente preservado para que a cidade pudesse receber enormes investimentos que a transformaram, nos últimos anos, em uma dos roteiros mais visados pelos turistas na Europa. O número de visitantes por aqui cresce a uma impressionante média de 20% ao ano.
Hoje há atrações em Valência que se transformaram em referências mundiais de beleza e ousadia, como a Cidade das Artes e das Ciencias, um projeto de 400 milhões de dólares que oferece um incrível museu interativo, cinema de terceira dimensão e o maior aquário da Europa, com direito a tubarões gigantes a um palmo do nosso nariz. Para se ter uma idéia do sucesso deste empreendimento só no último ano 7 milhões de turistas foram visitá-lo.
Valencia é também curiosamente considerada uma das cidades mais liberais da Espanha e está sabendo aproveitar muito bem este status. Agora estamos em pleno verão e as ruas à noite fervem, com bares lotados e milhares de pessoas de todos os cantos do planeta despejando seus cobiçados euros no comércio valenciano.
A cidade tem sete quilometros de praia, está estrategicamente situada em frente à Ibiza e reintegrou-se ao mar com a reconstrução de uma gigantesca área de lazer na zona portuária onde há uma belíssima marina cercada de restaurantes para todos os gostos. Obviamente eu recomendo uma tradicional paella valenciana acompanhada por um Rioja e pela brisa noturna do Mediterrâneo.
O mais divertido em Valencia, no entanto, são os próprios valencianos, principalmente aqueles que vivem nos bairros mais afastados do centro, como o de Benemamet, onde estou hospedado. Ao final das calorentas tardes de verão familias inteiras -cachorros e gatos inclusive- esparramam-se pelas calçadas e ficam jogando conversa fora, observando com curiosidade os turistas -aliás, é curioso como na Europa os turistas fazem questão de parecerem turistas, sempre portando sandálias, bermudas largas e câmeras fotográficas.
Fico mais uns dias por aqui, terminando o trabalho e curtindo a cidade. Se conseguir fazer minha máquina fotográfica voltar a funcionar-pifou hoje- publico mais algumas fotos. Obviamente vou por bermudas largas mas prometo que as sandálias serão Havaianas legítimas.
Tubarão à vista..
Cidade das Artes e das Ciências
Paella Valenciana legítima indo da cozinha para a mesa..
Os tranquilos valencianos esparramados pelas calçadas..





Escrito por betoan



