O blog do Lula, sem comentários..

Setembro 5, 2009

proibido 1

Lula já tem seu blog, publicado há poucos dias como parte da estratégia para posicionar a imagem do presidente e do governo federal nas redes sociais. Uma ação previsível, alinhada com o novo marketing político, que cada vez mais utilizará a internet como plataforma de comunicação e interação com o eleitor.

É o “efeito Obama”, que começa a tirar a classe política de uma arrogante letargia em relação ao poder da Web como ambiente de formação e compartilhamento de opiniões. Obama garantiu sua eleição usando a força de mais de 30 mil comunidades online e conseguiu, entre outros feitos, arrecadar mais de 500 milhões de dólares pela internet. Tudo didaticamente articulado e orientado pelo competente Ben Self, dono da agência Blue State Digital, contratada para fazer a campanha online de Obama.

Ben Self esteve no Brasil há poucos dias proferindo palestras e flertando com os marqueteiros dos presidenciáveis Dilmas Roussef e José Serra, em busca de um bom contrato de consultoria para as próximas eleições. O que se ouve por aí é que o estrategista online de Obama tende a alojar sua equipe no Palácio do Planalto, à serviço da campanha de Dilma.

Mas voltando ao blog do Lula, após uma instabilidade inicial na largada por excesso de visitantes, fomos eu e todos os internautas que se dispuseram a conhecê-lo pegos de surpresa com a impossibilidade de se postar comentários sobre as notícias e opiniões publicadas. Inicialmente achei que fosse um problema técnico, até que recebi a informação que, realmente, não permitir comentários foi uma decisão dos responsáveis pelo blog. A esta altura pouco importa saber o porquê desta decisão, tendo em vista o quanto ela é equivocada.

Evidentemente era só uma questão de tempo para começar o bombardeio dos internautas ao blog do presidente, que se transfromou de ferramenta de comunicação em saco de pancada online, um verdadeiro modelo vivo de como não se construir uma relação interativa e horizontal na rede.

De forma criativa e oportuna, os jornalistas Pedro Markun e Daniela Silva, de São Paulo, criaram inclusive um clone do blog do Lula, com a providencial diferença de permitir comentários. Foi, sem dúvida, uma bela jogada de marketing promocional visando divulgar uma agência de comunicação política criada pelos dois jornalistas, mas que serve para mostar a obviedade do equívoco cometido pela equipe de comunicação do presidente.

Um blog que não permite comentários é a não compreensão mínima dos conceitos elementares ligados às novas formas de comunicação em rede. Para facilitar a ilustração das mentes analógicas que tomaram esta decisão, é o mesmo que uma rádio só com locutores, sem comentaristas, repórteres e ouvintes, na medida em que a maior virtude dos canais online é dar aos usuários, em tempo real, o poder de audiência, mediação, autoria e crítica.

Mas o pior ainda está por vir, pois o blog é parte de um processo de inserção da imagem de Lula nas redes sociais que prevê, em breve, sua participação em outros canais e comunidades. Fico imaginando que novas idéias geniais os criativos do Planalto darão ao presidente. Talvez um perfil no Twitter que só tenha seguidores e que não siga ninguém. Ou a proibição no Facebook de curtir um comentário. No Orkut, talvez, impedir o uso de scraps. Enfim, de quem cria e defende um blog sem comentários, tudo se pode esperar.

Realmente este fato revela muito mais que um erro estratégico ou uma falta de percepção contextual de quem coordena este projeto de marketing online para o presidente Lula. Governos e políticos invariavelmente não tem a menor idéia do que fazer na internet e muito menos como fazer. O poder público traz um péssimo histórico de utilização dos meios de comunicação. É a cultura da informação chapa branca, vertical, onde reina o proselitismo movido pela vaidade e pela conversa fiada de assessores e marqueteiros. E onde muito pouco importa a opinião das pessoas.

Com a internet, obviamente esta cultura está fadado a acabar. As novas formas de comunicação ensinam claramente que o eixo de diálogo na rede é horizontal, interativo e cada vez mais livre e democrático. Fechar, proibir, impedir ou dificultar o direito de cada cidadão a fazer uso das ferramentas online para emitir opiniões, produzir informações e interagir com seus pares é o meio mais rápido para se perder credibilidade, audiência e relevância.

Com a devida humildade, sugiro ao presidente Lula que dê uma espiada diária no clone do seu blog criado pelos dois jovens jornalistas de São Paulo. E que preste muita atenção nos comentários dos internautas. Acredite presidente, nada é mais importante que isso para se configurar uma boa estratégia de marketing político nas internet. O resto, em bom e velho jargão jornalístico, é balela.

Ben Self, estrategista online de Obama e cada vez mais perto da campanha de Dilma Roussef, bem que poderia dar umas dicas aos blogueiros de Lula..
Ben Self


Tudo o que a internet é e que alguns gostariam que não fosse..

Maio 15, 2009

censura não

Abaixo publico um texto retirado do blog do sociólogo Sérgio Amadeu. Excelente!

A Internet é uma rede de comunicação aberta e livre. Nela, podemos criar conteúdos, formatos e tecnologias sem a necessidade de autorização de nenhum governo ou corporação. A Internet democratizou o acesso a informação e tem assegurado práticas colaborativas extremamente importantes para a diversidade cultural. A Internet é a maior expressão da era da informação.

A Internet reduziu as barreiras de entrada para se comunicar, para se disseminar mensagens. E isto incomoda grandes grupos econômicos e de intermediários da cultura. Por isso, se juntam para retirar da Internet as possibilidades de livre criação e de compartilhamento de bens culturais de conhecimento..

(Leia o texto na íntegra aqui)


mundo gris mundo belo..

Março 15, 2009

Volto a escrever neste blog quase sempre de forma inusitada. Mais de uma vez ouvi que o único sentido de se ter um blog é alimentá-lo diariamente, isso é uma bobagem. Escrevo aqui quando dá vontade.

Hoje me veio essa vontade, acho que porque cansei de ficar observando pelo vidro úmido da janela uma chuva fina, fria e lenta, que aos poucos se dissolve em uma névoa constante. É um cenário gris, triste, de inverno antecipado, muito normal no sul do Brasil, principalmente na serra gaúcha, onde estou.

Fico imaginando como sobrevivi a tantos anos de frio e umidade aqui no sul. Justiça seja feita não sobrevivi, fui embora. Daí que comecei a fazer cálculos e concluí que nesse inquieto passar de tempo já morei -de verdade- em 7 cidades mundo afora, 4 delas à beira-mar.

A presença do mar, o cheiro forte da maresia e a convivência com o tempo estanque e a calma leniente do povo litorâneo me trazem uma enorme alegria, me tranqulizam.

Por isso mais uma vez me preparo para voltar ao mar, beira d´água, muito próximo ao mato e cercado do que de melhor a vida pode me oferecer. Vem aí uma nova e maravilhosa etapa, tenho certeza.

paraty


Sob o sol do Mediterrâneo

Julho 29, 2008

Estou de volta à Valência, na costa leste da Espanha, onde exatamente há um ano, convidado pelo meu querido amigo Marcelo Branco, conheci a Campus

Party, maior festa mundial de tecnologia e cultura digital. Volto agora para o mesmo evento, desta vez totalmente envolvido com o assunto.

Para quem não sabe, ano passado voltei de Valencia e fui convidado pela Futura Networks para trabalhar na implementação da Campus Party no Brasil, o que aconteceu em fevereiro de 2008 na Bienal do Ibirapuera, em São Paulo.

Depois disso fui para a Colombia -vou escrever um post sobre Bogotá, que cidade maravilhosa!- também para fazer a Campus Party e, após uma rápida visita ao Brasil, cá estou em mais uma edição desta grande festa geek, carinhosamente apelidada no Brasil de “nerdstock”.

Mas quero falar de Valencia, uma cidade exótica, linda e acolhedora, onde o encontro da cultura ocidental e árabe é evidente. Poucas cidades da Espanha tem tamanha riqueza estética e arquitetônica.

Apesar de ser a terceira maior cidade da Espanha -atrás apenas de Madrid e Barcelona- Valencia tem um ar intimista, de “pueblo”, principalmente no centro histórico, formado por um emaranhado de ruelas dominadas por casarios renascentistas com balcões e fachadas coloridas.

Este patrimônio histórico de Valencia foi cuidadosamente preservado para que a cidade pudesse receber enormes investimentos que a transformaram, nos últimos anos, em uma dos roteiros mais visados pelos turistas na Europa. O número de visitantes por aqui cresce a uma impressionante média de 20% ao ano.

Hoje há atrações em Valência que se transformaram em referências mundiais de beleza e ousadia, como a Cidade das Artes e das Ciencias, um projeto de 400 milhões de dólares que oferece um incrível museu interativo, cinema de terceira dimensão e o maior aquário da Europa, com direito a tubarões gigantes a um palmo do nosso nariz. Para se ter uma idéia do sucesso deste empreendimento só no último ano 7 milhões de turistas foram visitá-lo.

Valencia é também curiosamente considerada uma das cidades mais liberais da Espanha e está sabendo aproveitar muito bem este status. Agora estamos em pleno verão e as ruas à noite fervem, com bares lotados e milhares de pessoas de todos os cantos do planeta despejando seus cobiçados euros no comércio valenciano.

A cidade tem sete quilometros de praia, está estrategicamente situada em frente à Ibiza e reintegrou-se ao mar com a reconstrução de uma gigantesca área de lazer na zona portuária onde há uma belíssima marina cercada de restaurantes para todos os gostos. Obviamente eu recomendo uma tradicional paella valenciana acompanhada por um Rioja e pela brisa noturna do Mediterrâneo.

O mais divertido em Valencia, no entanto, são os próprios valencianos, principalmente aqueles que vivem nos bairros mais afastados do centro, como o de Benemamet, onde estou hospedado. Ao final das calorentas tardes de verão familias inteiras -cachorros e gatos inclusive- esparramam-se pelas calçadas e ficam jogando conversa fora, observando com curiosidade os turistas -aliás, é curioso como na Europa os turistas fazem questão de parecerem turistas, sempre portando sandálias, bermudas largas e câmeras fotográficas.

Fico mais uns dias por aqui, terminando o trabalho e curtindo a cidade. Se conseguir fazer minha máquina fotográfica voltar a funcionar-pifou hoje- publico mais algumas fotos. Obviamente vou por bermudas largas mas prometo que as sandálias serão Havaianas legítimas.

Tubarão à vista..

Cidade das Artes e das Ciências

Paella Valenciana legítima indo da cozinha para a mesa..

Os tranquilos valencianos esparramados pelas calçadas..